TRADIÇÕES ALEMÃS OU TRADIÇÃO DA COLÔNIA ALEMÃ

TRADIÇÕES ALEMÃS OU TRADIÇÃO DA COLÔNIA ALEMÃ. O QUE CHEGOU ATÉ NÓS? A CULTURA É VIVA.
Quem nasce no Brasil é brasileiro independente da origem de seus pais, esse é o critério adotado aqui, o jus soli, na Alemanha e em outros países da Europa adota-se o jus sanguinis: mesmo nascendo em outro país, a nacionalidade do cidadão permanece a do seu país de origem. Não se trata apenas de uma condição geográfica, mas esse critério mantém o indivíduo com vínculos culturais ao país de seus ancestrais.
Os descendentes dos alemães que formaram, etnicamente, a população de Juiz de Fora, sem negar, absolutamente, as suas brasilidades, sentem muito orgulho de sua origem germânica, provavelmente pelo costume do "Jus sanguinis" em sua origem.
Desde 1990 com o advento da Festa Alemã do Borboleta muito se tem feito em Juiz de Fora, para “resgatar a cultura alemã” em nossa cidade. Se antes existiam movimentos tímidos com relação à preservação dessa cultura, por questões de intimidação (primeira e segunda guerra mundial e governo nacionalista de Getúlio Vargas), esse evento deslanchou inúmeras manifestações sobre as “tradições alemãs em Juiz de Fora”
Acontece que as questões culturais nem sempre são simples: os imigrantes alemães que aqui chegaram não vieram de uma nação organizada, a Alemanha não existia da forma que a conhecemos hoje, era um emaranhado geopolítico, que tinha uma língua em comum.
A “identidade” alemã era dada pelo conceito de "Kultur", com todos os seus significados correlatos, que se calca em fatos intelectuais, artísticos e religiosos. Daí porque consideramos alemães os imigrantes que faziam uso da língua alemã pelo direito pelo sangue, direito pela herança. Por esse conceito classifica-se de "alemão" independente do País/Estado onde tenha nascido.
A Liga Alemã (1815-1866), período da imigração dos alemães para Juiz de Fora (1856-1858) - cuja unidade consistia, principalmente, no uso do idioma alemão - era, politicamente, muito diversificada: 35 estados independentes e quatro cidades livres. Consistia numa união pouco coesa de estados soberanos. Além da Áustria (até 1866), dela participaram os reinos da Prússia, Baviera, Württemberg, Hannover (sob o domínio do rei da Inglaterra) e Saxônia; os Grão-Ducados Mecklemburg-Schwering-Strelitz, Oldenburg, Hesse-Darmstadt, Saxe-Weimar e Baden; o eleitorado de Hesse-Kassel; os ducados de Brunswick, Nassau, Anhalt-Dessau-Bernburg-Göthen, Saxe-Koburg-Gotha, Saxen-Meiningen-Altenburg-Hildburghausen e Holstein (sob o domínio do rei da Dinamarca); parte dos Países-Baixos (sob a jurisdição do Gran-Duque de Luxemburgo); as quatro cidades-livres de Frankfurt/Meno, Bremen, Hamburgo e Lübeck, somados ainda de um grande número de pequenos principados independentes. Então, temos “Alemães" da atual Áustria, da Dinamarca, da Polônia, da Holanda, de Luxemburgo, França, Itália etc.
Esses estados /países eram muito fechados, marciais e fortificados. Muitos deles teriam dialetos próprios, mas, o clima era o mesmo as matérias primas, temperos característicos, roupas e danças típicas mantinham uma certa analogia.
Esse mix de “Estados” enfraquecidos e desorganizados pelas guerras napoleônicas permitiu que na primeira metade do século XIX muitos de seus cidadãos partissem em busca de novos horizontes. Milhares vieram para o Brasil e centenas desses chegaram à um lugar chamado Santo Antonio do Paraibuna que, seis anos depois se tornou o município de Juiz de Fora.
Os primeiros 150 alemães chegaram em 1856 para a trabalhar na Cia. União Indústria os outros cerca de 1200 aqui aportaram em 1858 para o projeto de colonização "Colônia Pedro II".
Esses "alemães", partiram de um lugar onde a vida estava difícil e chegaram aqui onde não era nenhum “paraíso”, diferentemente das propagandas a que foram submetidos lá na origem pelo governo brasileiro.
Os “alemães” que se estabeleceram em Santo Antonio do Paraibuna, construirão suas casas e verificaram que as terras e o clima não eram propícios a produzir os produtos a que estavam acostumados a consumir e, com o passar dos anos, os "alemães" e seus descendentes produziram artigos diferente dos originais, mas, com uma certa "lembrança" do que era original e fizeram muitas adaptações com as matérias primas fartas no Brasil e que adotaram no consumo habitual.
Vinho: Se não tem uva, faça com laranja, muito farta por aqui.
Não tem Steinhäger, tomamos cachaça.
Cerveja: tem que ser de milho.
Pão Alemão (feito com farinha de trigo branca), nada de centeio, aveia e outros cereais comuns no velho continente, Cuca de “farofa”, a original e adaptações (banana, Coco goiabada)
Carne de porco: é o que tem de mais próximo de lá, mas alguns temperos não se acham por aqui. Ficaram próximos do original: Chouriço Branco (Leberwurst) feito com miúdos de porco, chouriço preto (schwarzwusts) Linguiças (wurst) diversos tipos, Queijo de porco (Schwartsmagem ou chuadema) feito com miúdos de porco.
Desde 1990 com o advento da Festa Alemã do Borboleta muito se tem feito para “resgatar a cultura alemã”, certo? OU RESGATAR A CULTURA DA COLÔNIA ALEMÃ?
Afinal de contas, da segunda geração em diante o que se conhece são os hábitos da colônia e não do que veio da origem.
Agora, depois da Festa, da formação da Associação Cultural e Recreativa Brasil Alemanha, dos grupos de dança, vai se formando uma nova “cultura alemã” em Juiz de Fora, trazendo aprendizado de outras regiões do Brasil e até da Alemanha de hoje.
Como por exemplo cito a história dos “Produtos típicos”: Salsichão Branco (Weisswurst) Carré defumado (Kasseler) e Joelho de porco (eisbein) na Festa Alemã de 1990.
- Eu e Edgard (Edgard Danilo Alves da Silva) que era meu sócio no "Stephan “fabricávamos uma linha bem extensa de produtos com carne de porco: linguiças, frios defumados, linguiças etc. de acordo com o que foi passado de geração em geração da família Stephan, com as devidas modificações feitas pelo tempo.
Em maio de 1998 viajamos para Frankfurt onde permanecemos por vários dias visitando a IFFA - Feira Internacional para a Indústria da Carne, frigoríficos e restaurantes típicos e barracas de comida nas ruas onde encontramos uma profusão de embutidos e frios, tudo fabricado com carne de porco.
Já no Brasil, analisamos o que vimos, ponderamos sobre nossos hábitos alimentares e optamos por lançar o que seria uma linha chamada de "produtos típicos alemães" composta dos seguintes produtos que já fabricávamos: Salsichão (Wurt) e linguiça temperada com vinho (Wein Wurst) e acrescentamos novos produtos: Salsichão Branco (Weisswurst) Carré defumado (kasseler) e Joelho de porco (eisbein).
A maior adaptação que tivemos que realizar foi quanto ao Eisben, que na Alemanha e no sul do Brasil (onde era consumido igual à origem) era comercializado na forma de "salmourado", ou seja, salgado e para prepará-lo era necessário dessalgar passando por troca de várias águas (igual ao bacalhau) e era servido cosido, tinha pouca carne, mais cartilagem, ficava muito branco
Depois de várias experiências chegamos a um novo "Eisbein" (à brasileira): O corte seria alongado em direção do pernil (para obter mais carne) e seria defumado. Deu certo. Conquistou o paladar do brasileiro (foi copiado em todo o Brasil).
Quando criamos a Festa Alemã, em 1990, no Borboleta, para terminar o telhado da igreja São Vicente de Paulo, os produtos para oferecer na festa já estavam definidos: Os produtos que fabricávamos anteriormente e as “novidades”. A Cultura é dinâmica e viva.
CADA REGIÃO UMA VISÃO DIFERENTE
Ao visitar a cidade de 13 Tílias em janeiro de 2017, observamos que a visão local da colonização germânica é bem diferente: A cidade se intitula "O Tirol Brasileiro" e todos se declaram claramente como descendentes de austríacos. Acontece que sua colonização ocorreu em 1933, quando a Áustria já era um país definido como atualmente. Mesmo assim, o Tirol já estava dividido , parte na Áustria e parte na Itália. .
ÁUSTRIA - ALEMANHA
A ligação Alemã com a Áustria é tão forte  que ao final da guerra de 1918  esse país titulava-se "República da Áustria Alemã". e pretendiam formar um só estado, mas, essa situação não lhes foi permitida pelos vencedores da guerra. 
O Tratado de Saint-Germain-en-Laye foi celebrado em 10 de setembro de 1919 pelos Aliados, vitoriosos, de um lado, e, de outro, pela nova República da Áustria.
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